Princípios da aprendizagem
Esta página traduz a evidência da ciência da aprendizagem em regras de desenho do Estudar. Cada regra diz a evidência, a regra e o estado atual na app. As regras são invariantes: se uma funcionalidade entra em conflito com uma regra, muda a funcionalidade.
Força da evidência
- ALTA — resultados experimentais replicados; utilidade alta segundo Dunlosky et al. (2013).
- MODERADA — bom suporte experimental, em condições mais estreitas.
- EMERGENTE — poucos estudos; implementar, instrumentar e verificar com os nossos dados.
Relatórios observacionais servem de contexto: motivam o problema, mas não justificam decisões sozinhos.
Estado da implementação
| Regra | Evidência | Estado |
|---|---|---|
| Modelo central | ALTA | Implementado |
| R1 Tentar antes de revelar | ALTA + EMERGENTE | Em papel |
| R2 IA só depois de tentar | EMERGENTE | Cumprido |
| R3 Espaçamento com prazo | ALTA | Ao nível da sessão |
| R4 Intercalação | MODERADA | Ao nível do plano |
| R5 Autoexplicação | MODERADA | Pedido opcional |
| R6 Confiança e calibração | ALTA | Implementado |
| R7 Com ajuda vs. sem ajuda | EMERGENTE | Implementado |
| R8 Técnicas de baixa utilidade | ALTA (negativa) | Implementado |
| R9 Tempo por disciplina | Heurística | Implementado |
"Em papel", "ao nível da sessão" e "ao nível do plano" significam que a regra está aplicada ao que a app conhece hoje — sessões e registos — e não a itens individuais, que só existirão com o banco de perguntas (roadmap).
Modelo central
A aprendizagem mede-se pela recuperação sem ajuda, depois de algum tempo — nunca pelo desempenho durante o estudo. O desempenho durante a prática é um sinal enganador:
- reler pareceu melhor e reteve menos (Roediger & Karpicke, 2006);
- a prática em bloco teve melhores resultados no treino e muito piores uma semana depois (Rohrer & Taylor, 2007);
- com um tutor de IA, o desempenho com ajuda subiu e o desempenho sem ajuda caiu (Bastani et al.).
No Estudar: o domínio vem só de testes de controlo sem ajuda; horas, prática e prática com ajuda aparecem à parte.
R1. Tentar antes de revelar
Evidência. Efeito de testagem (Roediger & Karpicke, 2006; Karpicke & Blunt, 2011). Efeito muleta (Bastani et al.): um tutor que dava respostas prejudicou o desempenho sem ajuda; um que obrigava a raciocinar primeiro removeu grande parte do prejuízo.
Regra. Nada que contenha ou implique a resposta é mostrado antes de haver uma tentativa registada. Uma tentativa vazia conta, mas vale como falhada.
No Estudar (modo papel). O registo do bloco pede tentativas, confiança e ajuda usada antes de corrigir; esses campos ficam trancados; só depois aparecem os acertos, limitados às tentativas. Um exercício em branco conta como tentado e errado. A autoavaliação fica marcada como tal e é comparada com os testes de controlo (R6).
R2. A IA é uma ferramenta pós-tentativa
Regra. Antes da tentativa, só pistas que não revelem a resposta. Depois, corrigir, explicar e gerar variantes. Em testes de controlo e simulações, nenhuma.
No Estudar. A IA só gera o plano semanal e lê a imagem do percurso; nunca vê exercícios nem respostas. A prática feita com IA é registada como "com ajuda" e nunca conta para o domínio. Um tutor por fases é trabalho futuro e terá de respeitar esta tabela.
R3. Espaçamento, com prazo de exame
Evidência. Ebbinghaus (1885); Cepeda et al. (2006, meta-análise); Cepeda et al. (2008): o intervalo ótimo entre revisões ronda 10–20% do tempo até ao teste.
Regra. Cada disciplina tem data de exame; o espaçamento garante revisão na janela final; a véspera do exame é só de revisão.
No Estudar. Datas de exame por disciplina (ou pela próxima prova no percurso); véspera marcada como "só recuperação e revisão, sem matéria nova"; prioridade nos últimos 7 dias; o plano exige cada disciplina média ou pesada em 2+ dias, com revisões 1–3 dias depois. O agendamento por item (FSRS) chega com o banco de perguntas.
R4. Intercalação
Evidência. Rohrer & Taylor (2007): prática mista ~63% vs. em bloco ~20% num teste uma semana depois — o ganho vem de ter de identificar que método se aplica.
Regra. A primeira exposição pode ser em bloco; revisão e prática intercalam tópicos e tipos de problema.
No Estudar. O plano pede exercícios mistos e revisões cruzadas no mesmo dia; os testes de controlo pedem tópicos misturados; a primeira exposição fica registada à parte.
R5. Autoexplicação
Regra. Depois de uma tentativa, às vezes pedir para explicar porquê um passo funciona — com moderação.
No Estudar. De três em três registos de prática, um campo opcional pede uma frase de autoexplicação.
R6. Confiança e calibração
Evidência. Ilusão de competência: quem relê prevê melhores resultados do que quem se testa, e erra (Roediger & Karpicke, 2006). Bjork (1994): o estudo fluente parece eficaz e não é.
Regra. Antes de revelar, a confiança (1–4). Calibração por disciplina. As disciplinas com excesso de confiança ficam acima das simplesmente fracas.
No Estudar. Exatamente isso — ver Registo do bloco.
R7. Com ajuda vs. sem ajuda
Regra. O domínio calcula-se só com recuperação sem ajuda. O desempenho com ajuda aparece à parte e nunca o inflaciona. Medir a diferença entre os dois: uma diferença crescente é o efeito muleta nos nossos dados.
No Estudar. Domínio só de testes de controlo sem ajuda; prática com e sem ajuda lado a lado; aviso de dependência de ajuda; testes com ajuda passam a prática.
R8. Técnicas de baixa utilidade não são modo de estudo
Evidência. Dunlosky et al. (2013): reler, sublinhar e resumir têm utilidade baixa.
No Estudar. Ler matéria nova é registado como primeira exposição e nunca conta para o domínio; a app não oferece resumos gerados por IA; o prompt proíbe essas técnicas como atividade principal e a verificação do plano avisa quando aparecem.
R9. Distribuição do tempo
Estado. Heurística de planeamento, não ciência da aprendizagem. Decide quanto tempo; R1–R8 decidem como.
prioridade(d) = ECTS(d) × défice(d)
fatia(d) = max(10%, prioridade / Σ prioridades), renormalizado
défice(d) = 1 − domínio sem ajuda(d) — sem teste, 1Excesso de confiança aumenta o défice; o exame mais próximo passa à frente; exames já feitos saem. Detalhes e parâmetros em Plano semanal com IA.
Como estas regras são garantidas
Cada regra com consequência mensurável tem um teste automático, e cada teste é verificado estragando a regra de propósito (mutação) para confirmar que o teste a apanha. Ver Testes.
Medir antes de decidir
Depois de duas semanas de uso, compara os testes de controlo com a prática com ajuda antes de afinar qualquer parâmetro. O relatório de semestre mostra se os teus testes previam bem as notas.